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domingo, 8 de julho de 2012

A Corrosão do Caráter - INTENSIVO

A partir de entrevistas com executivos demitidos da IBM em Nova York, funcionários de uma padaria ultramoderna em Boston e muitos outros, Sennett estuda os efeitos desorientadores do novo capitalismo. Ele revela o intenso contraste entre dois mundos de trabalho - aquele da rigidez das organizações hierárquicas no qual o que importava era um senso de caráter pessoal, e que está desaparecendo, e o admirável mundo novo da reengenharia das corporações, com risco, flexibilidade, trabalho em rede e equipes que trabalham juntas durante um curto espaço de tempo, no qual o que importa é cada um ser capaz de se reinventar a toda hora.

O livro em português pode ser lido aqui. Sugiro lerem o primeiro capítulo, que é bem interessante. Se gostarem, podem ler o restante também!

Geografia das indústrias - INTENSIVO

As atividades econômicas podem ser divididas principalmente sem 3 setores. São eles: setor primário, que corresponde a agricultura e as atividades de extrativismo; setor secundário, que corresponde a indústria e a todo o processo de industrialização; e setor terciário, que corresponde ao comércio e aos serviços, setor predominante nas grandes cidades. Na aula de hoje, falaremos um pouco sobre o segundo setor.

O desenvolvimento do capitalismo está profundamente relacionado ao processo de industrialização. Sem a indústria, as sociedades teriam uma capacidade muito limitada de transformar a natureza, e não haveria o próprio processo de urbanização e massificação do consumo e dos costumes que existem atualmente. A industrialização deslocou o eixo de poder do campo pra cidade.

Entretanto, a indústria não surgiu na forma da fábrica como a conhecemos hoje. Antes disso, a produção de bens e a transformação da natureza era feita a partir do artesanato e da manufatura. Apesar de hoje considerarmos que vivemos numa sociedade industrial, a industrialização ocorreu de forma diferenciada no tempo e no espaço geográfico. Na primeira Revolução Industrial, por exemplo, as indústrias se localizavam próximas às bacias carboníferas britânicas, pois o custo de se transportar a energia era alto. O quadro abaixo sintetiza os principais fatores que podem modificar a localização das indústrias.

Fatores locacionais
matérias-primas
fontes de energia
mão-de-obra de baixa qualificação (baixa remuneração)
mão-de-obra muito qualificada
mercado consumidor
infraestrutura de transporte
rede de telecomunicações
incentivos fiscais
disponibilidade de água

Importante notar que todos os fatores de localização das indústrias estão ligados a diminuição dos custos de produção, ou seja, são fatores de ordem econômica, além de espacial. Cada setor industrial é influenciado por cada fator de forma diferenciada. Para isso, veremos como isso ocorreu de forma diferenciada no tempo.

A primeira revolução industrial foi marcada pela criação da máquina a vapor (1769) e sua aplicação dentro das fábricas, que facilitava o fornecimento de energia e a produção de mercadorias em menor tempo. Além disso, a máquina a vapor também foi aplicada aos meios de transporte, ampliando as possibilidades de interligação a lugares mais distantes e favorecendo a comunicação. As indústrias eram localizadas próximas às fontes de energia e de matéria-prima, o que favoreceu ainda mais o crescimento de algumas cidades.

É também na primeira revolução industrial que é introduzido em larga escala o trabalho assalariado, em oposição ao trabalho servil ou escravo. O pensador Karl Marx, no século XIX, que foi o responsável por desvendar porque o regime assalariado era a relação de trabalho mais adequada ao capitalismo, quando criou o conceito de mais-valia. A toda jornada de trabalho corresponde uma remuneração, que permitirá a subsistência do trabalhador. No entanto, o trabalhador produz um valor a mais do que recebe na forma de salário, e a quantidade de trabalho não-pago permanece em poder dos proprietários das fábricas, lojas, fazendas, minas, etc. Através da mais-valia que os capitalistas podem lucrar.

A segunda revolução industrial surge com a diversificação das tecnologias e de formas de se obter energia, passando pra eletricidade e pro petróleo. As indústrias de bens de consumo passaram a se instalar próximas ao mercado consumidor, mesmo que estivessem longe da fonte de energia ou matéria-prima. Também nesta fase que ocorre o grande crescimento da indústria de bens de produção, como a siderurgia, metalurgia e indústria química. Essas indústrias fabricavam produtos que seriam utilizados como matéria-prima de outras fábricas. As indústrias de bens de capital, que produziam máquinas, equipamentos e peças para outros setores, também se expandiram nessa época.

Dentro da fábrica, o trabalho realizado se tornava cada vez mais especializado. Isso quer dizer que o processo produtivo de fabricação das mercadorias se subdividia em várias etapas, desempenhado por vários trabalhadores em diversas funções. Era comum haver a figura do gerente, uma espécie de fiscal do trabalho. Esse processo também foi responsável pela criação da divisão social do trabalho, pois cada ocupação tinha uma remuneração diferenciada.

No início do século XX, os Estados Unidos já se tornava uma grande potência industrial, superando a Ingleterra. O economista norte-americano Frederick Taylor criou uma nova forma de organização do trabalho dentro das indústrias, fenômeno que ficou conhecido como Taylorismo. Segundo ele, o tempo e os movimentos dos operários deveriam ser intensamente controlados para aumentar a produtividade, a divisão das atividades dentro da fábrica deveria ser feita de forma mais especializada e repetitiva e as atividades administrativas e executivas deveriam ser realizadas por outros funcionários. Posteriormente, um outro norte-americano, Henry Ford, introduziu esteiras rolantes nas linhas de montagem dos automóveis de sua fábrica, aumentando ainda mais a produtividade. Por isso, essa especialização do trabalho ficou conhecido como Fordismo.

Ao mesmo tempo que havia uma especialização da produção no interior das fábricas, a população passava a crescer ainda mais fora delas. Ford percebeu, então, que para ter mais lucro, seu modo de produção em massa deveria ser transferido para o consumo em massa da sociedade. Para tanto, era necessário aumentar os salários dos trabalhadores para que eles pudessem consumir os bens que produziam dentro das fábricas. Os EUA passam a ser a primeira sociedade de consumo de massa, quando várias mercadorias se tornaram acessíveis à população em geral, instaurando o american way of life. Para facilitar a implementação da lógica fordista de produção em massa e consumo em massa, era necessário padronizar ao máximo os produtos. Assim, a Ford fabricava o mesmo modelo de carro nos Estados Unidos e na Europa, ainda que os dois mercados tivessem necessidades distintas.

O fordismo também transformou enormemente a organização do espaço geográfico dos países industrializados. Era necessário que as demais indústrias que produziam peças e componentes dos automóveis se localizassem próximas a indústria automobilística, o que gerou uma intensa concentração industrial (economia de aglomeração). Esse padrão de produção, consumo e organização espacial se expande para os países europeus a partir do fim da Primeira Guerra Mundial, mas a Crise de 29 colocou em xeque os riscos da superprodução de mercadorias.

Com a Terceira Revolução Industrial, o espaço geográfico passa por uma nova reconfiguração, acompanhado pela reorganização da produção e do consumo. Conhecido como pós-fordismo ou toyotismo, o novo sistema tinha como objetivo aumentar os ganhos de produtividade através da maior exploração da mão-de-obra do trabalhador. Assim, o toyotismo implementou o sistema just-in-time, ou seja, haveria uma grande sintonia entre os fornecedores de matéria-prima, os produtores e os compradores, onde se produziria apenas a quantidade de mercadorias que se fosse consumir, sem desperdícios.

Além do risco da superprodução, o pós-fordismo permitiu a flexibilização industrial para atender às exigências de diferentes mercados consumidores. O avanço da tecnologia fazia com que vários produtos que eram produzidos no sistema fordista ficassem obsoletos rapidamente, com prejuízo para o fabricante. O pós-fordismo readaptou as linhas de montagem das fábricas, para que não fosse necessário criar uma nova fábrica a cada novo desenvolvimento tecnológico.

A atual etapa do capitalismo é marcada por uma profunda desconcentração industrial e descentralização do capital. Enquanto as redes de transportes e telecomunicações das grandes metrópoles estão saturadas, observamos um deslocamento das indústrias para longe dos centros urbanos desenvolvidos. Enquanto as indústrias que necessitam de alta tecnologia buscam a proximidade de universidades ou centros de pesquisa, desenvolvendo tecnopolos, as indústrias de baixa tecnologia procuram áreas onde a legislação trabalhista ou ambiental é mais flexível e os salários são menores. A globalização eliminou as barreiras dos transportes e das comunicações a nível global e as indústrias certamente foram muito beneficiadas com esse processo.

Desenvolvimento do Capitalismo - INTENSIVO

Após a queda no Muro de Berlim e o fim da União Soviética, podemos dizer que o sistema capitalista é hegemônico hoje no mundo inteiro. Isso quer dizer que o capitalismo é predominante em todos os países do globo. Até mesmo países que se identificam como comunistas ou socialistas funcionam na lógica do capitalismo. Para entendermos como se deu essa configuração do espaço geográfico mundial, vamos conhecer as principais fases do capitalismo que antecederam a atual. São 3: Comercial, industrial e financeiro.

Clique para ampliar, retirado de Geoprofessora

1. Capitalismo Comercial (Séc XV-XVIII)

A primeira etapa do capitalismo é chamada de comercial pois o principal objetivo dos países da Europa Ocidental era acumular capital através da troca de mercadorias. Essa política foi chamada de mercantilismo e foi pautada pela busca de novas rotas de comércio através das expansões marítimas. Nesse período, os países europeus conquistaram inúmeros territórios e também escravizaram e assassinaram milhões de nativos da América e África, sempre em busca de produtos que fossem valorizados no mercado europeu.

Assim, estabeleceu-se a Divisão Internacional do Trabalho clássica, uma estruturação do espaço geográfico global. Enquanto a colônia enviava metais preciosos, especiarias e produtos tropicais para a sua metrópole, esta enviava produtos manufaturados para a colônia. Nas palavras do escritor uruguaio Eduardo Galeano, enquanto uns países se especializavam em ganhar, outros se especializavam em perder. A América Latina, desde então, é especializada em perder.

Alguns autores já defendem que é no Capitalismo Comercial que ocorre a primeira Globalização, ainda que de forma incipiente. Em geral, eles afirmam que essa etapa do capitalismo estabeleceu relações políticas, econômicas e culturais entre países em diferentes continentes, através da expansão marítima. A Globalização, contudo, na forma como a entendemos hoje será estudada em um capítulo mais adiante.

2. Capitalismo Industrial (Séc. XVIII-XIX)

Em meados do século XVIII, o capitalismo, antes baseado no comércio de produtos simples, passou a caracterizar-se por uma produção industrial em grande escala, com produtos mais elaborados. Essa transformação ficou conhecida como Revolução Industrial, a etapa que a seguiu como Capitalismo Industrial e levou a uma reconfiguração do espaço geográfico global.

As cidades, que já vinham crescendo desde a etapa anterior, começaram a crescer ainda mais devido a modernização das atividades agrícolas, que expulsou centenas de trabalhadores do campo. A Divisão Internacional do Trabalho se aprofundou ainda mais, enquanto houve uma aceleração enorme da circulação de pessoas, matérias-primas e mercadorias. Isso só foi possível devido aos grandes avanços na tecnologia de transporte terrestre.

Nessa etapa, o comércio já não era a principal fonte de lucro, mas a produção de mercadorias. Importante notar que a Inglaterra foi o país pioneiro, enquanto a mão-de-obra escrava ou servil era substituída pela assalariada. O capitalismo industrial também foi importante para delimitar o fim da intervenção do Estado na economia. Ela passava a funcionar na lógica do mercado, guiado pela livre concorrência. Essa doutrina ficou conhecida como liberalismo econômico, sendo o seu principal teórico o economista escocês Adam Smith.

Segundo Smith, bastava que cada indivíduo buscasse seu próprio interesse econômico que o interesse coletivo seria atingido de forma mais eficiente. Os preços das mercadorias e os salários seriam definidos através das leis de oferta e demanda. Para tanto, era importante que não houvesse interferência do Estado nos assuntos econômicos. A metáfora mais conhecida do liberalismo econômico é o da “mão-invisível”, que sugeria essa não intervenção.

3. Capitalismo Financeiro ou Monopolista (Séc. XIX-XX)

O avanço da atividade industrial exigiu maiores investimentos financeiros para possibilitar o desenvolvimento e a aplicação de novas tecnologias. A intenção era que as indústrias se tornassem mais produtivas, gerando mais lucro para o industrial. Nesse contexto, alguns setores industriais começam a receber ajuda financeira dos bancos, que, por conta disso, começam a desenvolver novas tecnologias e produtos, gerando mais competitividade.

Com os avanços tecnológicos e o acirramento da concorrência, algumas empresas simplesmente não conseguiam se tornar fortes o suficiente para competir com as grandes. Assim, pequenas empresas foram a falência ou foram incorporadas por empresas maiores, o que gerou uma grande centralização e concentração de capitais. Essas fusões e incorporações levaram a formação de monopólios e oligopólios. Outros conceitos também surgem nesse contexto:

Monopólio: Situação em que uma única empresa domina a oferta de determinado produto ou serviço. Quando o mercado é dominado por uma estrutura monopolista, os preços são fixados pela empresa monopolizadora e não pelas leis de mercado, garantindo-lhe superlucros.

Oligopólio: Conjunto de empresas que domina determinado setor da economia ou produto colocado no mercado. Em geral, impõe preços abusivos e elimina a possibilidade de concorrência, através da aquisição de pequenas empresas.

Cartel: Conjunto de empresas que atuam no mesmo setor da economia e estabelecem acordos visando à ampliação de suas margens de lucros, geralmente através da adoção das seguintes estratégias: estabelecimento de cotas de produção, controle dos preços, controle das fontes de matéria-prima (cartel de compradores) e divisão do mercado.

Holding: Conjunto de empresas dominadas por uma empresa central que detém a maioria ou parte significativa das ações de suas subsidiárias; geralmente atua em vários setores da economia, formando um conglomerado.

Truste: Situação em que uma empresa controla todas as etapas do processo produtivo, desde a retirada da matéria-prima da natureza, passando pela transformação em produto até a distribuição da mercadoria. Em geral está associado ao processo de fusão de empresas.

É no contexto do capitalismo financeiro que ocorre a expansão imperialista, que buscava garantir novos mercados consumidores e novas fontes de matérias-primas. Os países europeus, então, avançam sobre a África e o sul da Ásia. A Divisão Internacional do Trabalho, então, foi deslocada para a África, já que a maior parte dos países da América Latina estavam realizando suas independências, ainda que apenas nominalmente.

Nessa época que os Estados Unidos surge como uma potência industrial. Sua expansão imperialista sobre a América Latina, contudo, não ocorreu na forma de dominação colonial. Os EUA exerciam um controle indireto, patrocinando golpes de Estado e apoiando a ascensão de ditadores que fossem favoráveis aos Estados Unidos. As intervenções militares eram apenas pontuais.

Nessa etapa, o liberalismo econômico permanece apenas como ideologia capitalista, pois o mercado passa a ser cada vez mais controlado apenas pelas grandes corporações. Isso se intensifica ainda mais com a Crise de 29, onde o Estado volta a aparecer como indutor da atividade econômica, planejando, coordenando, produzindo ou como empresário. Essa política ficou conhecida como keynesianismo, pois foi elaborada por um economista britânico chamado John Maynard Keynes.

É importante observar que a divisão feita entre as diferentes etapas de desenvolvimento do capitalismo tem diferenças entre si mas é, sobretudo, para efeito didático. Nunca o capitalismo industrial deixa de ser comercial, ou seja, cada etapa que surge incorpora um pouco da etapa anterior para se desenvolver. Também é relevante lembrarmos que a transição entre uma etapa para outra se dá de forma lenta e gradual, além de ocorrer de forma diferenciada entre os países, assim como foi transição entre o feudalismo e o capitalismo.